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João Augusto

João Augusto Bonfim. Salvador, BA, 1933

Ao deixar o país em busca de novos experimentos, João Augusto deixou também, atrás de si, uma pintura que valorizava os pontos de luz, dispostos em quadriculados, aparecendo e desaparecendo como se estrelas fossem de uma constelação microscópica. Ao retornar dos Estados Unidos, esses pequeninos quadrados cresceram, explodiram em pigmentação e luz.

 

A resposta emocional que a pintura ocasiona em trabalho abstrato substitui os sentimentos de empatia que as pinturas narrativas engendram no observador. Nos trabalhos abstratos não somos obrigados a ver árvores verdes, céus azuis. Emoções primárias como alegria, melancolia, ansiedade ou tranqüilidade estão entre os sentimentos destacados por João Augusto, nessas verdadeiras plantas-baixas ou mapas da cidade de Nova York, agora, nessa exposição revisitada. Quem não conhece Nova York talvez não perceba a cidade nesses delicados pigmentos que, muitas vezes, engole luz ao invés de refleti-la. Necessitando assim ser espalhado por uma área relativamente grande para conseguir a densidade desejada pelo autor.

 

Luz, forma, saturação, ilusão espacial, tudo parece ser inato à cor. Percebemos a cor agindo livremente no contexto de uma forma estável, neutra, tal como o quadrado de João Augusto. A cor pode ainda dotar aquela forma (quadrado) de luz, profundidade, energia, espaço e movimento. A linha, porém, circunscreve ou delineia a forma. Linha, entretanto, não é forma e, no geral, não contém a cor. As atuais telas de João Augusto procuram justamente esse equilíbrio entre linha e cor. A grande importância de Matisse como colorista deve-se ao fato de ter liberado a linha para operar com a cor em toda sua profundidade e pureza.

 

É nesse momento que na obra de João Augusto aparece a tela como pauta musical, resultado do equilíbrio que se propõe entre o gestual, o espontâneo dos gestos ao redor da estrutura principal do quadro e a rigidez disciplinada do seu mapa interior da cidade de Nova York. Para isso foi necessário abrir espaços em telas cada vez maiores, e devido aos intervalos de cores a imagem não é percebida como um todo, mas há uma leitura em forma de tempo musical, uma evolução da cor que parece querer seguir até o infinito. Um infinito, uma dimensão interior, uma forma maior de alcançarmos o devaneio".

 

 

 

Alberto Beuttenmüller