Sante Scaldaferri

Sante Scaldaferri. Salvador, BA, 1928 

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Pinta com fome de pintura em toda sua vida de artista. E a força de sua expressão é rica, múltipla e variada. Sua figuração está entre as mais vigorosas que se tem conhecido no Brasil. Uma linguagem visualista nitidamente marcada, no tratamento e na forma, por uma obsessiva e arraigada fixação no antropomorfismo. Desenvolve técnica de campos de cor, de pigmentos ritmados e recorrentes zonas de generosa abstração. A cor é objeto inquietante, persistente e obsessivo. O uso de cores primárias e de tons intensos exalta um cromatismo saudável. É uma pintura de intensidade e saturação cromática. A matéria da tinta interfere de modo cada vez mais forte na construção de sua pintura intensa e vigorosa. Pela riqueza de meios, deve ser considerado como um mestre das gerações.

 

Wilson Rocha

O caráter único da trajetória de Sante Scaldaferri dentro da iconografia brasileira funda-se na combinação de características tão díspares quanto a permanência e a mutabilidade. Num aparente paradoxo, projeta-se de sua vasta obra a capacidade do artista de permanecer fiel às suas fontes e recursos originais, enquanto se lança no processo de criação, por si mesmo dialético, progressivo e mutável.  Por certo, a experiência e o sabor acumulados, permitem um olhar mais aguçado sobre o mesmo objeto e um senso crítico mais apurado que lhe permitem admirar e expor novas angulações, novas facetas como variações sobre um mesmo tema. De certa forma este é um artista cuja evolução não deve ser medida em tempo linear. Como as estações, ele evolui em ciclos – sempre o mesmo; sempre diferente. Consagrado como um dos mais importantes nomes da atual arte brasileira, Sante utiliza linguagem universal para falar da grandiosidade e fraqueza do homem, à luz dos signos da religiosidade popular. A personificação dos ex-votos dá a medida da trajetória humana. Aqui, em linguagem clara, o homem é exposto, despido de seus artifícios, posto a nú. A técnica refinada de traços vigorosos e deliberadamente rudes, destaca a intensa e patética fragilidade de que somos acometidos, sob o peso da nossa permanente necessidade de opaziguar a ira dos deuses e da opressão de nossas pequenas e cotidianas misérias. Assim ele estabelece os critérios que definem seu fazer artístico e que definem as fronteiras entre a obra bem feita e a obra definitiva.

 

 

 

                                                                                               Heitor Reis

                                                                                              Diretor do MAM - Bahia   

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